O filósofo Platão separa opinião e conhecimento a partir de critérios como estabilidade, fundamento e objeto. O conhecimento é estável, baseado em argumentos válidos, enquanto a opinião está associada à ignorância, que, por sua vez, representa ausência de contato com a verdade sobre determinado tema.
Assim, Platão entende que a opinião ou “doxa” é influenciada por aparências, costumes e percepções imediatas, sem respaldo racional sólido. Já o conhecimento é ligado à episteme, exige compreensão segura e orientada ao que não muda, como as ideias.
Hoje, as opiniões nas redes sociais são compartilhadas sem verificação, as quais se constituem apenas em boatos. É como disse o cientista planetário Carl Sagan: "Nada me perturba mais do que a glorificação da estupidez."
Para o teólogo Dietrich Bonhoeffer, a estupidez não é necessariamente uma deficiência intelectual, mas uma falha moral. Em outras palavras, as opiniões estúpidas são um fenômeno social que vai além da simples falta de inteligência, ou seja, é gente incapaz de pensar criticamente.
Porém, existe o gozo psíquico em dar opiniões estúpidas, preferindo a segurança de uma crença reducionista à complexidade do conhecimento, o que cria “câmaras de eco online” que não aceitam ideias diferentes.
Por isso, a literacia midiática é uma ferramenta fundamental para análise crítica, produção ética e participação cívica capaz de transformar as opiniões estúpidas em entendimento mais consistente, neutralizando a desinformação no ambiente digital.
Jackson Buonocore
Sociólogo, psicanalista e escritor
buonocorejcb@gmail.com