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A exaustão dos cuidadores
Publicado em 05/05/2026 21:00
Jackson Buonocore

A exaustão dos cuidadores caracteriza-se como um esgotamento que ultrapassa o cansaço

físico, revelando-se um fenômeno que integra o psiquismo, a biologia e a estrutura social.

Nesse sentido, são homens e mulheres capturados por uma fantasia de onipotência,

acreditando serem os únicos capazes de suprir as necessidades alheias.

No entanto, quando a realidade impõe limites e a melhora dos pacientes ou assistidos não

ocorre, o "ideal do eu" heroico é ferido, gerando uma culpa punitiva. Trata-se de um excesso

não simbolizado, que converte o cuidado em uma exigência mortificante, onde o corpo e a

mente adoecem para expressar o que a palavra não consegue dizer.

Ademais, a exaustão causa alterações físicas no sistema nervoso central, pois a

hipervigilância constante ativa o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal. O que resulta em um

banho crônico de cortisol, prejudicando a memória e a regulação emocional, além de gerar

irritabilidade e apatia.

Essa crise é também um reflexo de desigualdades estruturais, em que a responsabilidade

recai majoritariamente sobre as mulheres, em uma divisão sexual do trabalho que invisibiliza

o esforço e isola os indivíduos.

Sendo assim, é imperativo que os cuidadores encontrem espaços de escuta analítica e suporte

social, porque enfrentam um ciclo de fragilidade, precariedade, risco social, desproteção e

privação. Isso exige políticas públicas robustas para transformar o cuidado em uma prática

humanizada que não anule a existência de quem exerce essa profissão.

 

Jackson Buonocore

Sociólogo, psicanalista e escritor

buonocorejcb@gmail.com

 

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